sábado, julho 18, 2026
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Padre é acusado de importunação sexual contra filhas do próprio primo

Acusado é afastado pela Arquidiocese e casos seguem sob investigação em segredo de justiça em Guaratinguetá

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Tempo de leitura: 3 min

O pai de duas meninas, de 15 e 12 anos, busca justiça e a condenação do acusado de importunação sexual contra suas filhas. O caso foi registrado nas delegacias de Paraty-RJ e Lagoinha-SP. O acusado é o padre Marcelo Mota, ex-pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Lagoinha, que foi afastado das funções pela Arquidiocese de Aparecida.

O serralheiro Carlos Eduardo Borges Mota, pai das vítimas, contou que o religioso é seu primo e, por isso, sempre teve contato com suas filhas. Morador do bairro da Rocinha, em Guaratinguetá, ele revelou que o padre possui também uma casa no bairro e que sempre frequentou o local. 

Mota informou que, em dezembro do ano passado, sua filha de 15 anos foi com o acusado acampar em Paraty. O padre possui um trailer e convidou suas duas filhas para a viagem. “A menor começou a chorar e disse que não queria ir, mas a do meio concordou em fazer a viagem. Nós deixamos porque ela já era acostumada a viajar com ele e outras crianças”.

Na noite do dia 9 de dezembro, segundo o pai, a menor foi jantar em um restaurante de Paraty com o padre e depois voltou para o acampamento. O religioso ofereceu uma cerveja para a menina que aceitou, mas só tomou um gole porque achou muito amarga a bebida e foi dormir. “Quando foi por volta da 1h, ela acordou com padre em cima dela, passando as partes íntimas no seu corpo. Ela se mexeu e ele fingiu que estava dormindo”.

A menor se levantou e foi ao banheiro do acampamento onde encontrou uma vizinha de camping e contou o que tinha acontecido. Ela chamou o responsável pelo local, que ofereceu para levar a menina para o hospital.

Ainda de acordo com relatos do pai, a menina contou o que tinha acontecido para os funcionários, que acionaram a Polícia Militar. O padre foi detido e levado para a delegacia. “Quando ela estava no hospital, conseguiu falar com a irmã mais velha, por telefone, que avisou a gente. Descemos imediatamente para Paraty”, contou Carlos.

Na delegacia, a menor e o padre prestaram depoimento. “Eles recolheram as roupas dele e dela e o celular dele também. Foi registrado o boletim de ocorrência por estupro de vulnerável”, informou o pai.

O segundo boletim de ocorrência foi registrado na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Guaratinguetá. Segundo Mota, a medida foi tomada porque ao chegar em casa e contar o que tinha acontecido com a filha, a caçula disse que também havia sido abusada pelo padre. “Ela contou que ele pedia para ela abrir as pernas para ele dar um abraço de urso nela. Sabendo disso, minha esposa foi até a DDM para registrar um novo boletim”.

O caso foi encaminhado pela DDM de Guaratinguetá para a delegacia de Lagoinha, onde o caso está sendo investigado. Segundo a delegada Vânia Zácaro, os autos estão em segredo de justiça e o inquérito continua em andamento. A delegacia de Paraty-RJ não se pronunciou sobre o andamento da investigação.

A pena para importunação sexual contra menores é de reclusão de 1 a 5 anos, conforme o artigo 215-A do Código Penal. Essa pena se aplica a qualquer ato libidinoso realizado sem a anuência da vítima, que pode ser uma criança ou adolescente. A lei estabelece que a pena pode ser aumentada em até 2/3 se o crime for cometido por um agente que mantém ou teve relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação.

Arquidiocese de Aparecida – Em nota, a Arquidiocese de Aparecida informou que em nove de dezembro de 2025, o padre Marcelo Motta, então pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Lagoinha, foi autuado na Delegacia de Polícia de Paraty-RJ, sob a acusação de importunação sexual a uma menor com 15 anos.

O texto afirma que a Comissão de Tutela de Vulneráveis da Arquidiocese de Aparecida foi acionada e os procedimentos canônicos foram tomados. “O então arcebispo de Aparecida seguiu a orientação da Igreja afastando imediatamente o padre Marcelo Motta de suas responsabilidades canônicas, comunicando-o de que estava suspenso ‘ad cautelam’ do uso de ordem”.

Segundo a Arquidiocese, civilmente o caso está sendo averiguado pela Justiça e canonicamente já foi encaminhado para o Dicastério para a Doutrina da Fé em Roma.

O acusado segue sob retiro e incomunicável, o que impossibilitou um contato da reportagem do Jornal Atos.

Da Redação
Guaratinguetá

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