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Litoral Norte é palco de previsão de calor anormal e tempestades causadas pelo El Niño

Especialistas acreditam que fenômeno coloca região no alvo de condições extremas; Cemaden alerta para riscos períodos de chuvas

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O fenômeno El Niño pode alterar o padrão de temperaturas e chuvas no Litoral Norte de São Paulo nos próximos meses, com possibilidade de períodos de calor acima da média intercalados com episódios de chuva intensa, tempestades, ventos fortes e ressacas. O contexto se enquadra nas últimas semanas, marcadas por tempestades.

De acordo com a avaliação do meteorologista Guilherme Borges, o fenômeno modifica a circulação atmosférica sobre a América do Sul e influencia especialmente as regiões Sul e Sudeste do Brasil. O El Niño é um fenômeno climático natural e tem como característica o aquecimento irregular e constante nas águas do Oceano Pacífico equatorial. 

No Litoral Norte, um dos principais efeitos esperados é a ocorrência de frentes frias que podem permanecer sobre o litoral, favorecendo grandes acumulados de chuva em períodos relativamente curtos. “A gente teve áreas de Ubatuba e de Caraguá com chuva passando também dos quatrocentos milímetros. Ou seja, de maneira geral, ele tende a trazer mais chuva porque ele estaciona frentes frias aqui e faz com que elas fiquem deixando altos acumulados em curto espaço de tempo”, pontuou o especialista.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) preveem para outubro, novembro e dezembro, acumulados de 600 a 700 mm no Litoral Norte, com possibilidade de até 50 mm acima da média climatológica. O Cemaden confirmou que julho, agosto, setembro e início de outubro já registraram chuva consideravelmente acima da média. Os órgãos apontam para um cenário em que a chuva não deve ser distribuída de maneira uniforme. O Inmet prevê períodos mais secos e quentes intercalados com episódios de chuva forte.

O Cemaden reforçou que, mesmo em anos sem uma influência clara do El Niño, a estação chuvosa do Litoral Norte naturalmente apresenta períodos de grandes volumes concentrados. “E o que pode complicar este ano mais um pouco é que na época que é normalmente mais seca, agosto, setembro, outubro, este ano não foi seca. Então o solo já vai partir de uma condição de maior umidade em relação à época do ano”, explicou o coordenador de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi.

O Litoral Norte entra na estação chuvosa, de acordo com o Inmet, com temperaturas acima da média e o oceano mais quente, o que pode favorecer episódios de chuva intensa.

O Cemaden alerta que a própria estação chuvosa já representa anualmente um período de maior risco. “E a época chuvosa é a época que tem o maior perigo de deslizamentos de terra, de inundações, enxurradas, independentemente das condições do El Niño. Todo ano, em algum momento, durante a estação chuvosa, a chuva se torna mais intensa. Isso é uma questão de variabilidade normal do clima. Então a estação chuvosa, sem dúvida, é uma época complicada”, pontuou Seluchi.

A Organização Meteorológica Mundial, órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), informou que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical central e oriental (região no centro do fenômeno El Niño) devem atingir recorde de 3,7ºC acima do normal entre outubro e dezembro.

Nayara Francesco
Litoral Norte

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