A Polícia Civil indiciou nove detentos envolvidos na rebelião registrada na Penitenciária 1 de Potim, ocorrida entre sábado (20) e domingo (21). O motim terminou com a morte de dois presos, quatro feridos e manteve 15 visitantes, 14 mulheres e uma criança. impedidos de deixar o pavilhão por aproximadamente 18 horas. Além das prisões em flagrante, a polícia solicitou à Justiça a conversão das detenções em prisões preventivas.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a rebelião foi organizada de forma coletiva, com divisão de funções entre os envolvidos. Depoimentos, imagens, relatos de vítimas e a dinâmica da ocorrência indicam que alguns presos atuaram como líderes, enquanto outros participaram das agressões, do controle dos acessos e da restrição da liberdade dos visitantes.
A ocorrência teve início durante o horário de visitas, quando duas mulheres apresentaram imagens consideradas suspeitas no equipamento de inspeção corporal, o body scanner. As visitantes foram retidas para exames complementares antes da entrada na unidade.
De acordo com o boletim de ocorrência, dois detentos ligados às visitantes reagiram à decisão da administração penitenciária, exigindo a liberação das mulheres e ameaçando iniciar um motim caso o acesso fosse impedido. As ameaças evoluíram para o risco de execução de presos mantidos sob o controle do grupo, circunstância apontada pela investigação como o estopim da rebelião, embora outras motivações, como disputas internas entre detentos, também estejam sendo apuradas.
Durante a crise, um preso foi mantido como refém por outro detento. As negociações envolveram policiais penais e equipes do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar. A ocorrência foi encerrada por volta das 6h de domingo, quando os envolvidos se renderam.
Os dois presos mortos e os quatro feridos estavam envolvidos na confusão dentro do pavilhão. Os feridos receberam atendimento na enfermaria da unidade. Os detentos apontados como participantes da rebelião foram transferidos para outras penitenciárias e responderão pelos crimes atribuídos.
Enquanto a negociação ocorria, os familiares que realizavam visitas permaneceram no interior do pavilhão. A SAP (secretaria da Administração Penitenciária) informou que todos foram retirados em segurança e sem ferimentos. A pasta também declarou prestar apoio às famílias afetadas pela ocorrência.
Após o fim da rebelião, o GIR (Grupo de Intervenção Rápida) realizou uma revista geral na penitenciária, com apoio da Polícia Militar na segurança externa. As visitas previstas para domingo foram suspensas por questões de segurança e a SAP instaurou procedimento para apurar as circunstâncias do caso.
A Penitenciária 1 de Potim opera atualmente acima da capacidade. A unidade foi projetada para receber 748 detentos, mas abriga 1.302 presos. Já o pavilhão destinado ao regime semiaberto possui capacidade para 96 internos e atualmente conta com 129 custodiados.
Da Redação
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