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Na reta final da luta pela posse, Lorena quer recuperar prédio da Escola Conde de Moreira Lima

Prefeitura avança com processo em parceria com Estado e projeta restauro, já aprovado pelo Condephaat; obra orçada em R$ 10 milhões

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O lorenense, principalmente o que já está acima dos trinta anos, que passa pelo trecho final da rua Dr. Rodrigues de Azevedo, a conhecida Rua Principal, tem um misto de tristeza, nostalgia e irritação. Já o visitante chega a se espantar. Emoções causadas pela construção centenária, hoje sede somente de lembranças de quem um dia esteve como aluno ou educador da Escola Conde de Moreira Lima, alvo de um imbróglio entre Estado e Município, mas que está prestes a ser encerrado.

A Prefeitura de Lorena está trabalhando para finalizar a transferência do prédio histórico da escola, no Centro, para o patrimônio do Município. A medida é necessária para o restauro do prédio, que está fechado desde 2021.

O prédio, que é tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), ainda pertence ao Governo do Estado, devido a burocracia que ainda não colocou um ponto final no processo de transferência, iniciado com a Lei Estadual nº 14.461, de maio de 2011, que autorizou o Estado a repassar aos municípios, mediante doação, os imóveis usados como unidade escolar.

Na última década o debate se intensificou, principalmente após o fechamento do prédio, que precisava de reformas. Fechado desde 2021, quando os alunos e a própria nomenclatura da escola foram transferidos para uma nova unidade, na antiga sede do Sesi, questionamentos fazem parte do dia a dia de quem espera ver o espaço reutilizado.

De acordo com a secretária de Educação, Sônia Aquino, a atual administração começou em 2021 o processo para formalizar a doação do prédio para o patrimônio municipal. “Em 2023 começamos as tratativas com o Condephaat para o projeto de restauro, que foi finalizado e aprovado no final de 2025”.

O projeto aprovado tem orçamento de R$ 10 milhões para o restauro, com 20% de contrapartida da Prefeitura. “Nós já estamos empenhados em buscar parceiros para custear essa obra, além da parceria com o Estado”, explicou a secretária.

Após a restauração, o espaço não deve mais abrigar uma unidade escolar. O projeto da Prefeitura é transformar o local em um centro educacional e cultural para preservar a história e o patrimônio da cidade. “Vale ressaltar que a parte tombada é o prédio principal, a área que fica nos fundos não é tombada e não deve ser mantida”, salientou.

Segundo Sônia, o prédio está em melhores condições do que o Solar Conde Moreira Lima, a Casa da Cultura, que também precisa passar por restauro, obra que está sob responsabilidade da Fundação Olga de Sá. “Nós não temos problemas de estrutura, exceto algumas contenções que precisaram ser feitas no piso e no telhado. Mas a nossa secretaria de Serviços Municipais sempre faz a manutenção”. A expectativa da secretária é conseguir até o início de 2027 a posse definitiva do prédio para dar início à parceria com o Estado e começar as obras de restauro.

Desde o fechamento, o prédio gera um misto de tristeza e saudosismo por quem passa pela rua Dr. Rodrigues de Azevedo, nº 436. Tristeza pelo abandono do imóvel e saudades das boas histórias vividas ali por quem hoje é pai, mãe, filho e avô.

Gilce Aguiar, moradora da Vila Geny, contou que a mãe estudou no Conde e que ela fez questão de tirar foto com os netos em frente ao prédio da escola. “Precisa ser preservado esse patrimônio, é uma pena esse prédio tão bonito acabar desse jeito”. Maria Inês, moradora da Vila Brito, relembrou que seus netos estudaram no prédio, “… dá vontade de chorar de ver o estado que esse prédio está, é preciso restaurar esse lugar”. Assim como Andreia e seus irmãos também estudaram no prédio antigo do Conde: “Meu pai também estudou aqui e é uma tristeza ver esse prédio abandonado. Nós tivemos tantas histórias bonitas aqui dentro e hoje ele está desse jeito”.

Grupo Escolar – O 2º Grupo Escolar de Lorena foi criado por decreto no dia 30 de janeiro de 1918 por Altino Arantes, governador de São Paulo, e teve sua instalação em 9 de fevereiro de 1918.

O início da construção da escola Conde de Moreira Lima foi em 1912, com verbas do Estado. O projeto do prédio em Lorena foi assinado pelo engenheiro e arquiteto Manoel Sabater, o mesmo usado em escolas das cidades de Ribeirão Preto e Monte Alto, ambas no estado de São Paulo.

O grupo escolar recebeu o nome do Conde de Moreira Lima em 4 de novembro de 1926, quatro meses após a sua morte. Em 27 de fevereiro de 1971, o governador Roberto da Costa de Abreu Sodré autorizou a instalação da Unidade Integrada de 1º Grau Conde de Moreira Lima para todos os alunos de 7 a 14 anos, e a partir de 1976, passou a denominar-se Escola Estadual de 1º Grau Conde de Moreira Lima.

A escola foi municipalizada em 2001 através do convênio de municipalização com o Governo do Estado, que incorporou os professores que atuavam na unidade. O prédio foi tombado pelo Condephaat em 29 de julho de 2002.

Por Andréa Moroni
Lorena

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