Um projeto socioambiental foi implantado em Guaratinguetá com a missão de ensinar a transformar resíduos plásticos em produtos e gerar renda. A iniciativa, intitulada Regenera Project – Transformando o Agora, produz bancos, luminárias e outros objetos com materiais que seriam descartados.
Depois de passar por Belém-PA na COP30 em 2025, neste ano o projeto passa a atuar no município para ensinar como transformar resíduos por meio da marcenaria do plástico, técnica desenvolvida pelo designer Felipe Cazé, que permite criar móveis e objetos a partir de chapas de material reciclado.
Um dos destaques do Regenera é capacitar os cooperados da Cooperativa Amigos do Lixo e os estudantes de Engenharia de Materiais da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que receberão treinamento para atuar com a monitoria de oficinas. As atividades serão realizadas no Parque Ambiental Santa Luzia de forma gratuita e aberta ao público. O projeto prevê oficinas em duas modalidades, com formações básicas e avançadas voltadas à economia circular e à produção de mobiliário. O início está previsto para o dia 1 de junho.
Segundo a jornalista e idealizadora do Regenera, Taissa Buescu, o projeto nasceu da necessidade de dar um destino sustentável para o problema da geração de resíduos plásticos em Belém por meio do design e da inclusão social. “O Regenera transforma lixo em oportunidade e emergência em legado”, afirmou.
De acordo com dados do Saeg (Serviço de Água, Esgoto e Resíduos de Guaratinguetá), 46 toneladas de plástico foram recicladas em 2025, o equivalente a cerca de 3,5 toneladas por mês. A estimativa de geração total se baseia na última gravimetria, estudo de 2018 que analisa a composição do lixo e aponta que 12,44% dos resíduos comuns são compostos por plástico.
A partir desses dados é possível estimar que o Município recicla apenas pouco mais de 1% do plástico que gera anualmente. O número evidencia o desafio da reciclagem na cidade, onde a maior parte do plástico ainda tem como destino o aterro sanitário.
Esse trabalho é feito pela Cooperativa Amigos do Lixo, que vende o quilo do plástico para empresas de reciclagem por um preço que varia de R$ 1 a R$ 2,40. Com os objetos produzidos em parceria com o projeto, os produtos ganham valor agregado e podem ser vendidos por uma margem de lucro maior. “Um dos banquinhos que eles produzem pesa em torno de 3 a 4 kg e pode ser vendido por R$ 150”, completou Taissa.

Os móveis e outros objetos serão produzidos a partir de chapas plásticas feitas por meio de um processo onde o material coletado é triturado, derretido e prensado. Após isso, formam-se placas que serão utilizadas para construir objetos utilizando técnicas e ferramentas da marcenaria tradicional.
Para o cooperado Israel Moraes, as oficinas são uma oportunidade de aprender uma nova habilidade e de se capacitar profissionalmente. “Além de agregar conhecimento aos cooperados, vamos aprender a trabalhar com o plástico e transformar em móveis, e isso, para nós, vai agregar não só no valor final na hora de vender, como também na nossa qualificação”, destacou.
Incentivada pela Lei Rouanet, a produção do projeto conta com o patrocínio da Basf, por meio do custeio da tecnologia da marcenaria plástica e equipamentos de segurança até a realização das oficinas gratuitas e a oferta de bolsas de estágio para estudantes da Unesp.“ É uma satisfação apoiar e impulsionar na cidade uma iniciativa que une educação ambiental, capacitação e oportunidades, reforçando nosso compromisso com o desenvolvimento local e com um futuro mais sustentável”, afirmou a diretora do Complexo Químico da Basf em Guaratinguetá, Ana Carolina Locatelli.
Após o período de capacitação, a segunda etapa do projeto culminará em uma exposição na Design Week de São Paulo 2027, um dos eventos mais importantes do circuito brasileiro de design onde visitantes também poderão ver a marcenaria em ação trazendo visibilidade e destaque às obras e seus criadores, além da possibilidade de geração de renda com peças à venda.
Por Gabriela Oliveira
Guaratinguetá





