Lorena está entre os três finalistas do Prêmio de 25 anos do Cadastro Único, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O Município concorre na categoria “Gestão da Informação, Monitoramento e Avaliação” com o projeto “Conhecer para Incluir: Boletins Informativos do Cadastro Único como Ferramenta para Políticas Públicas nos Territórios de Lorena”.
A iniciativa foi desenvolvida pela equipe do Posto de Cadastramento do Cadastro Único e utiliza dados socioeconômicos para identificar as necessidades da população e orientar o planejamento de políticas públicas. O trabalho transforma informações sobre renda, escolaridade, condições de moradia, gênero, raça e pessoas com deficiência em boletins com gráficos, indicadores e diagnósticos de diferentes bairros e territórios da cidade.
Segundo a coordenadora do CadÚnico de Lorena, Patrícia Ávila, a classificação entre os três melhores projetos do país representa o reconhecimento do trabalho técnico desenvolvido. “Lorena destaca-se ao demonstrar que é possível realizar inteligência social de alto nível com recursos públicos acessíveis e equipe técnica própria”.
Os boletins são compartilhados com unidades dos Cras (Centros de Referência de Assistência Social), dos Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social), organizações da sociedade civil e o Conselho Municipal de Assistência Social. As informações ajudam as instituições a identificar públicos em situação de vulnerabilidade, planejar atendimentos e direcionar serviços de acordo com as necessidades de cada região.
A coordenadora explicou que a proposta surgiu da necessidade de conhecer melhor o perfil das famílias de baixa renda e identificar desigualdades entre os bairros, além de dar visibilidade ao trabalho realizado pelo Cadastro Único. A análise dos dados também permite localizar grupos que podem ter direito a benefícios sociais, mas que ainda não recebem o atendimento.
Entre os resultados apontados pela equipe está o mapeamento de crianças e adolescentes sem matrícula ou que abandonaram a escola, possibilitando a articulação com a área da Educação para a busca ativa. Os levantamentos também identificaram pessoas com deficiência inscritas no Cadastro Único que apresentam perfil de renda compatível com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), mas que não recebem o benefício.
Outro aspecto observado nos boletins é o perfil da população cadastrada. De acordo com os dados apresentados pela equipe, cerca de 46% das pessoas inscritas se declaram pretas ou pardas, enquanto as mulheres são responsáveis pela maior parte dos domicílios em situação de vulnerabilidade. As informações podem subsidiar ações voltadas à redução das desigualdades e à ampliação do acesso aos serviços públicos.
A iniciativa contribuiu para melhorar a atualização dos registros. Segundo Patrícia Ávila, o índice de atualização cadastral chegou a 92% entre o público feminino, resultado que ajuda a manter as informações utilizadas pelos programas sociais mais próximas da realidade das famílias.
Para a coordenadora, a transformação dos dados em diagnósticos territoriais permite que a administração pública identifique necessidades específicas e planeje ações com base em informações concretas, em vez de depender apenas de demandas pontuais. Os levantamentos podem contribuir não só para a assistência social, mas também para o planejamento de políticas nas áreas de saúde, educação e habitação.
Estar entre os três finalistas garante a Lorena um certificado oficial do Ministério, a publicação do relato da experiência no portal do Governo Federal e a participação na cerimônia de premiação. O vencedor será anunciado no dia 3 de dezembro, em Brasília.
Andréa Moroni
Lorena




