A cobrança de R$ 50 pelo estacionamento nas praias de Ubatuba entrou no centro do debate sobre os impactos da Zona Azul no comércio e no turismo do município. Em reunião realizada na segunda-feira (19), a Aciu (Associação Comercial e Industrial de Ubatuba) apresentou alternativas para o sistema, incluindo a suspensão da tarifa nas praias durante os meses de baixa temporada.
A proposta, chamada de “Inverno sem Zona Azul”, prevê estacionamento gratuito entre maio e agosto. De setembro a fevereiro, seria mantida a cobrança diária de R$ 50. Em março e abril, o pagamento seria exigido apenas durante feriados prolongados. No Centro e no Itaguá, a cobrança por hora continuaria.
O encontro reuniu comerciantes, vereadores e representantes da Prefeitura e da Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano de Ubatuba). As alternativas apresentadas buscam reduzir o impacto da tarifa sobre os visitantes e evitar uma possível perda de movimento nos estabelecimentos comerciais.
A Aciu argumenta que o custo do estacionamento, somado às despesas com hospedagem, alimentação, combustível e outros serviços, pode tornar Ubatuba menos competitiva em relação a outros destinos turísticos.
Segundo a entidade, a mudança nos valores também provocou manifestações negativas nas redes sociais. Entre as reações relatadas estão comentários de visitantes que cogitam cancelar viagens ou escolher outras cidades para passar férias e feriados.
A preocupação é que o aumento do custo para frequentar as praias afete não apenas o turismo, mas também bares, restaurantes, lojas e outros negócios que dependem do fluxo de visitantes, especialmente nos períodos de menor movimento.
Além do plano de gratuidade no inverno, a associação apresentou outras duas possibilidades para a Zona Azul nas praias.
Uma delas prevê tarifa diária de R$ 50 entre outubro e março e de R$ 20 entre abril e setembro. A outra propõe cobrança de R$ 5 por hora durante todo o ano, limitada a R$ 50 por dia.
As alternativas buscam conciliar a arrecadação com a sazonalidade do turismo, concentrando a cobrança nos meses de maior procura ou reduzindo o custo do estacionamento em parte do ano.
Para defender a proposta, a Aciu apresentou uma estimativa de arrecadação anual de R$ 9,68 milhões com o modelo sugerido. O valor supera os R$ 6,72 milhões que, segundo a entidade, eram arrecadados antes do reajuste.
Os números, entretanto, são projeções elaboradas pela própria associação e não representam uma arrecadação já alcançada ou garantida. O resultado efetivo dependeria de fatores como o movimento de veículos, a adesão dos visitantes e as regras que eventualmente fossem adotadas.
O plano prevê ainda ações de divulgação turística e a criação de um calendário de eventos distribuídos ao longo do ano, com o objetivo de atrair visitantes fora da alta temporada.
Reajuste de 150% – Em Ubatuba, a regulamentação atualizada da Zona Azul passou a valer no último dia 9. Nas áreas de praias, a tarifa é de R$ 50 por período de até 12 horas, enquanto a Zona Azul Cidade 2, que abrange o Itaguá e a avenida Iperoig, passou a cobrar R$ 5 por hora. No Centro, o valor permaneceu em R$ 2 por hora, com horários de cobrança específicos.
A discussão agora envolve o equilíbrio entre a manutenção do sistema de estacionamento rotativo, os custos de operação e os efeitos que os preços podem produzir sobre o comércio e a atividade turística.
Andréa Moroni
Ubatuba




