Motoristas do transporte coletivo da empresa SOU que atendem Caraguatatuba e Ubatuba protestaram, paralisando os trabalhos devido ao atraso no adiantamento salarial de 40%. O movimento provocou atrasos e interrupções na circulação dos ônibus na terça-feira (22). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviário, Urbano, Cargas, Anexo e Diferenciado do Litoral Norte, em Caraguatatuba é a primeira vez que o salário atrasa, mas em Ubatuba, a situação é recorrente.
Em Caraguatatuba a paralisação começou na madrugada, por volta das 3h. Segundo a Prefeitura, estava relacionada a questões trabalhistas envolvendo os funcionários e a empresa concessionária, e que acompanhou a situação desde as primeiras horas. O transporte coletivo foi normalizado às 11h20, no entanto, os motoristas haviam informado que se o pagamento não fosse efetuado até às 13h, paralisariam novamente. O protesto foi interrompido após a efetuação do pagamento, às 14h.
Uma auxiliar administrativa, de 45 anos, moradora de Caraguatatuba, que não quis ser identificada, contou que teve prejuízo financeiro no dia da paralisação. “Pego o transporte público todos os dias por volta das 6h, esperei na (última) terça-feira, cerca de uma hora, até que fiquei sabendo que estava de greve (sic). Tive que chamar um Uber; paguei pela viagem de sete minutos R$ 25,96”, desabafou.
Os motoristas de Ubatuba, que operam pela mesma empresa, paralisaram os trabalhos de madrugada e voltaram ao serviço às 7h30. Segundo a Prefeitura de Ubatuba, a SOU estava em negociação com o sindicato e com os trabalhadores. Segundo o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Annibal Bastos, a administração acompanhou as tratativas e manteve contato com a empresa durante a paralisação. “O transporte coletivo é um serviço essencial e nossa preocupação é com os usuários que dependem diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e cumprir seus compromissos”.
O presidente do sindicato, Everson Albuquerque revelou que em Ubatuba os motoristas enfrentam outras situações trabalhistas críticas. “A prefeita Flávia Pascoal (PL) desapropriou o terminal, quebraram as salas de onde os trabalhadores descansavam e tiravam horário de almoço. Nem mesmo um local para fazer as necessidades fisiológicas eles possuem. A prefeita tem que olhar com mais carinho para os trabalhadores”, criticou.
Sobre as condições do local de trabalho para profissionais ligados à SOU, a secretaria de Mobilidade Urbana revelou que o imóvel onde funciona o terminal rodoviário foi desapropriado para garantir a continuidade da operação no local, diante da intenção do antigo proprietário de encerrar as atividades. A medida, segunda a pasta, teria assegurado a manutenção de um equipamento essencial para o transporte e para a mobilidade no município.
“Em relação às intervenções realizadas no espaço, é importante esclarecer que a obra no corredor dos fundos não tem qualquer relação com os banheiros. O serviço em andamento tem como objetivo reformar uma sala adicional, proporcionando melhores condições de trabalho e mais dignidade aos funcionários que atuam no terminal (trecho de nota da secretaria)”.
A Mobilidade Urbana frisou que a adequação está sendo realizada diretamente pela Prefeitura, “embora a disponibilização de instalações apropriadas para os trabalhadores esteja prevista na composição de custos da empresa SOU. Sobre os sanitários, o terminal dispõe de banheiro público, que também pode ser utilizado pelos profissionais que trabalham no local. Portanto, não procede a informação de que a intervenção em andamento estaria relacionada à falta de banheiro ou à retirada desse tipo de estrutura”.
A Câmara de Ubatuba aprovou um requerimento para cobrar explicações da SOU Ubatuba sobre a interrupção temporária do transporte coletivo. O documento questiona a falta de comunicação sobre a interrupção do serviço e questiona quais medidas a empresa adota para evitar que dificuldades financeiras afetem o funcionamento do transporte público.
Entre os problemas apontados durante a sessão estão reclamações sobre horários das linhas, condições dos ônibus, estrutura do terminal e situação dos trabalhadores. Os parlamentares afirmaram que a interrupção afetou usuários que dependiam do transporte para trabalhar, estudar e chegar a consultas e outros atendimentos de saúde.
O presidente da Câmara, Gady Gonzalez (MDB), defendeu a substituição da concessionária e fez críticas à qualidade do serviço prestado.
Nayara Francesco
Caraguatatuba




