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Lorena recebe debate sobre racismo e direitos da população negra

Ciclo de palestras realizado pela Casa Afro reúne estudantes de direito do Centro Unisal; falta de representatividade estão entre obstáculos apontados

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O racismo nas instituições, a discriminação no mercado de trabalho e as dificuldades de acesso da população negra à Justiça estão entre os temas de um ciclo de palestras previsto para a próxima terça-feira (3), em Lorena. A atividade será realizada na Casa SP Afro Brasil, das 14h às 17h, em parceria com o Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo).

A programação faz parte de um projeto integrador dos estudantes de graduação em direito e propõe discutir como o racismo se manifesta em diferentes áreas da sociedade. Entre os assuntos previstos estão segurança pública, desigualdade no atendimento à saúde, educação e ações afirmativas, intolerância religiosa contra religiões de matriz africana e discriminação nas redes sociais.

Para o coordenador da Casa Afro, Denilson Costa, um dos desafios é fazer com que a discussão sobre igualdade racial ultrapasse o reconhecimento de atitudes discriminatórias individuais e alcance também as práticas institucionais. “O racismo não se manifesta apenas em atitudes individuais, mas também pode estar presente nas estruturas e nas instituições da sociedade”.

Costa aponta que a população negra ainda enfrenta obstáculos no acesso à educação de qualidade, ao mercado de trabalho e aos serviços de saúde. A falta de representatividade nos espaços de decisão e os problemas relacionados à segurança pública também estão entre as questões que precisam ser debatidas, segundo ele.

O coordenador destaca ainda a discriminação contra comunidades tradicionais e povos de terreiro, que enfrentam manifestações de racismo religioso. Para ele, o enfrentamento dessas desigualdades depende de ações permanentes e do envolvimento de diferentes setores da sociedade.

A discussão também deve abordar medidas para reduzir as desigualdades raciais, como o fortalecimento da educação antirracista, a ampliação de oportunidades profissionais e a melhoria do atendimento à população negra nos serviços públicos.

Na área educacional, Costa defende a aplicação das leis que estabelecem o ensino da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas. Na saúde, o debate envolve o combate ao racismo institucional e a garantia de atendimento sem discriminação.

A proposta é aproximar os conhecimentos discutidos na formação jurídica da realidade enfrentada pela população. “O ciclo busca criar um espaço de diálogo, formação e reflexão, incentivando a construção de uma sociedade mais justa, democrática e livre de discriminação”, afirmou o coordenador.

Andréa Moroni
Lorena

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