quinta-feira, agosto 27, 2026
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Política a Conta-gotas

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Tempo de leitura: 6 min

Conta rebelde

A matemática para o comando da Câmara de Guará promete desafiar até calculadora. Marcelinho da Santa Casa corre por fora, aliançado à ala mais radical; Fabrício da Aeronáutica mantém o foco nos quatro colegas mais próximos da atual Mesa. No papel, desenha-se um perigoso cinco a cinco. Só que são 11 votos — e é justamente aí que começa o mistério. Tem um voto passeando sozinho pela planilha, cobiçado pelos dois lados e com tamanho suficiente para escolher em qual trave a bola vai entrar?!?!?

Barro político em 5 tópicos:

Uma frase de Tarcísio de Freitas em Maresias foi suficiente para espalhar lama política pelo Litoral Norte. Ao recordar a tragédia de São Sebastião em 2023, o governador exaltou Reinaldinho Moreira, dizendo tê-lo encontrado “coberto de lama” no enfrentamento da catástrofe. Não citou Felipe Augusto. Pronto: estava aceso o pavio.

Perna curta

Quem resolveu corrigir a versão foi Toninho Colucci. Em evento da Defesa Civil de Ilhabela, disparou que quem estava coberto de barro era Felipe Augusto e emendou sem cerimônia: “Mentira tem perna curta, até mentira de governador”. Se a intenção era apagar o incêndio, esqueceram de avisar que gasolina não ajuda.

Versões cruzadas

Felipe Augusto entrou no jogo afirmando que Tarcísio “se equivocou” e que Reinaldinho estava na Europa durante parte daquele período. Reinaldinho rebateu: disse que nunca viajou, que estava “dia e noite no front” e ainda afirmou que Colucci teria ligado se desculpando. Colucci negou o pedido de desculpas. Pelo visto, até o telefonema ganhou duas versões.

Motim caiçara

Mas Colucci guardou a pimenta maior para o final. Chateado por não ter sido convidado para o evento de Tarcísio em Maresias, reclamou do tratamento recebido: “Não sou vaca de presépio”. E revelou ter pedido aos outros prefeitos do Litoral Norte que também não comparecessem, classificando a articulação como um “motim”. Agora a curiosidade corre pela orla: depois de tanta marola, quem vai procurar quem para baixar a ressaca?

Quem barrou?

Fora da trama oficial, um nome começou a aparecer nas rodinhas que tentam descobrir porque alguns prefeitos e lideranças ficaram longe do palanque de Tarcísio em Maresias. As apostas recaem até sobre Dennis Guerra, candidato a deputado pelo Republicanos, partido do governador. Em Caraguá, especialmente, há quem pergunte se o filtro dos convites passou por alguma conveniência eleitoral. Dennis pode não ter nada com isso. Mas, depois do “motim” revelado por Colucci, perguntar não ofende: quem montou a lista dos convidados — e, principalmente, a dos não convidados?

Outubro explica

No fim das contas, Vale e Litoral terão várias eleições dentro da mesma eleição. Uns precisam confirmar liderança, outros ampliar território e alguns apenas descobrir quanto realmente pesam. E talvez esteja aí o dado mais valioso de 4 de outubro: além de eleger deputados, as urnas começarão a organizar silenciosamente as prateleiras para 2028.

Velhos parceiros

Carlos Sampaio também não está descobrindo o Litoral Norte em ano eleitoral. A recente movimentação ao lado dos irmãos Neto e Cristian Bota, em Caraguatatuba, apenas reaqueceu uma relação construída com interlocução e emendas ao longo dos anos. Em política, amizade antiga costuma render fotografia; serviço prestado é que tenta fazê-la render voto.

Aficionado por segurança

Quem começa a ganhar espaço na Região Metropolitana do Vale e Litoral Norte na corrida para deputado federal é Orlando Morando, ex-prefeito de São Bernardo e nome do MDB. Segurança é uma de suas principais bandeiras, reforçada pela experiência na área e atuação nas ações do poder público, como secretário municipal da Capital Paulista. Pelo Vale, Morando chega em dobradinha com o estadual Jorge Caruso, como proposta de emendas na ordem de R$ 30 milhões.

Troca de endereço

Herivelton Vela trocou o PT pelo PSB de Geraldo Alckmin e volta às urnas tentando ampliar seu capital político. Em Pinda, porém, a eleição para deputado também será observada com lupa municipal: o desempenho poderá indicar quanto combustível existe no tanque para uma eventual viagem rumo ao Paço em 2028.

Poder da barganha

A disputa pela presidência da Câmara de Cachoeira Paulista já virou queda de braços. Felipe Piscina busca a reeleição para o segundo biênio contra Carlinho do Gesso, candidato que pode abrir novamente as portas do poder para um grupo rejeitado pelas urnas em 2024. E como eleição de Mesa se ganha voto a voto, começou o tradicional corpo a corpo. O problema é quando o poder de convencimento ultrapassa a boa conversa e entra na perigosa lei da oferta e procura. Aí, cada voto pode ganhar um peso — e uma conta — diferente….

Mãos ocultas

A disputa pelo poder em Cachoeira Paulista parece dividida em quatro frentes. Duas mostram a cara no plenário: Michel do Xandão e Agenor Todico, cada qual à sua maneira, mas unidos no propósito de desidratar o governo Breno Anaya. As outras duas preferem a penumbra dos bastidores, onde bater no prefeito com mãos emprestadas evita deixar digitais. Como termina esse jogo? Difícil prever. Por enquanto, tem gente jogando xadrez sem sequer aparecer no tabuleiro. Quem viver verá — e talvez descubra quem realmente movimentava as peças.

Ponte feminina

A vereadora Tati Nascimento levou a implantação da Procuradoria Especial da Mulher de Cruzeiro para além do papel. Em agenda na Câmara de São Paulo, ela trocou experiências com a vereadora Amanda Vettorazzo e conheceu de perto o funcionamento da estrutura de atendimento às mulheres na Capital. A visita serviu para buscar referências de acolhimento, orientação e encaminhamento de demandas, preparando o terreno para que a novidade aprovada na cidade saia do plenário e ganhe efetividade no atendimento às mulheres.

Linha de produção

Em Caraguá, a oposição parece ter transformado representação ao TCE em método de fiscalização — e também de desgaste político. Desta vez, uma licitação de R$ 34,9 milhões para zeladoria foi suspensa cautelarmente para esclarecimentos, o que não significa anulação nem perda dos recursos. Nos corredores políticos, porém, cresce a percepção de um verdadeiro “laboratório de denúncias”, abastecido por quem fiscaliza de dentro e, possivelmente, por interesses de quem está fora mirando espaço no poder. Cabe à Prefeitura responder tecnicamente; ao TCE, decidir. Até lá, denúncia não é condenação — embora, politicamente, renda manchete antes mesmo do julgamento.

Segurança na rua

Enquanto segurança pública costuma render muito discurso, o governo Mateus Silva decidiu responder com presença nas ruas. A quinta etapa da Operação Caraguá Segura colocou Prefeitura, Polícia Militar e GCM novamente em ação conjunta, fiscalizando bares e adegas do Centro e Massaguaçu, apertando o cerco contra irregularidades e ilícitos. É o tipo de resposta institucional que troca promessa por fiscalização — e mostra que, em Caraguá, segurança também entrou na agenda prática da gestão.

Primeiro o Senado

Em Silveiras, Edson Mota já abriu uma das cartas do baralho eleitoral: mais do que afinado com seu partido, declarou aposta e empenho na candidatura de André do Prado ao Senado. Quanto aos nomes para deputado estadual e federal, o prefeito parece ter reservado o anúncio para o próximo capítulo. Mas ninguém precisa consultar bola de cristal para adivinhar a preferência partidária: se depender da lógica política de Mota, as duas escolhas também devem sair do PL. Falta saber apenas quem receberá as bênçãos…

Chapa fechada

Se Edson Mota é historicamente PL em Silveiras, Zé Louquinho não foge ao roteiro em Aparecida. Com ascendência junto a Marcos Damásio e afinado à batuta de Valdemar Costa Neto, difícil imaginar muito espaço para aventuras partidárias na urna. A lógica aponta André do Prado ao Senado e os demais quadradinhos preenchidos com gente da mesma casa. Traduzindo: em Aparecida, se depender de Zé Louquinho, o PL pode entrar na cabine eleitoral com a chapa completa — resta anunciar os nomes que faltam.

Sarrafo alto

Silveiras já está em contagem regressiva para o Festão do Tropeiro, de 28 a 30 deste mês. Artesãos, gastronomia e artistas de raiz vão dividir a cena com as atrações contratadas, enquanto a cidade se prepara para receber uma enxurrada de visitantes. Edson Mota, por sua vez, tenta cumprir uma promessa que ele mesmo transformou em desafio: fazer cada festa superar a anterior. O problema de subir o sarrafo é que depois ninguém aceita festa menor…

Dança das duplas

Na eleição proporcional, um candidato a deputado estadual não precisa formar uma “dobradinha” única e exclusiva com um federal em toda sua área de atuação. Em Lorena, por exemplo, Marcus Soliva aparece mais ajustado eleitoralmente com Antonio Carlos; enquanto Thales Gabriel mostra-se ajustado com o federal Carlos Sampaio, por obra e graça dos vereadores contratados na cidade. E ambos podem caminhar, município a município, com os candidatos a federal ou estadual apoiados por  lideranças que aderiram suas campanhas 

Emprego assusta

Junior Filippo colocou Guaratinguetá na rota do emprego com o primeiro Feirão de Emprego, Empregabilidade e Empreendedorismo, conectando trabalhadores, empresas e qualificação profissional, numa ação da Secretaria de Indústria e Comércio com participação do Sebrae. Mas o que parece ter tirado o sono da turma do contra veio depois: R$ 1,5 milhão em investimentos e o pré-anúncio de áreas para novas empresas interessadas em se instalar no município. Pelo jeito, para certa oposição, pior que faltar emprego é correr o risco de sobrar…

Passe valorizado

Nesta temporada de caça aos votos em Lorena, dizem que tem vereador com o passe tão valorizado que já contabiliza ganhos maiores que alguns parlamentares que desfilam pelo pedaço. Se o investimento vai entregar os votos prometidos, só as urnas poderão conferir a nota fiscal. Mas os mais escolados parecem tranquilos: sabem que passarinho bebe água todo dia — e eleição sempre volta. Melhor, portanto, entregar o combinado agora, porque quem vende influência e não entrega voto pode descobrir que, na próxima temporada, nem alpiste aparece…

Foguete antecipado

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu a impugnação do registro de Antonio Carlos da Silva (PSD) por pendências documentais, entre elas certidões e comprovação de quitação eleitoral. A defesa informa que a papelada está sendo providenciada. Por enquanto, não existe decisão definitiva impedindo a candidatura. Mesmo assim, tem patuleia soltando foguete com a primeira notícia. Melhor guardar alguns: se a Justiça acender o sinal verde, vai ter gente procurando onde enfiar a caixa de rojão.

Papelada pendente

Na mesma prateleira burocrática está Felipe Augusto, com o registro de candidatura também enroscado por falta de certidões. Por enquanto, papelada para regularizar, não sentença para comemorar. Aos adversários mais afoitos, convém segurar o champanhe até a Justiça Eleitoral bater o martelo!!!

Por Eder Billota

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