A Polícia Militar deu início, na manhã da última sexta-feira (6), em Lorena, à Operação Impacto. A ação tem o objetivo de combater o tráfico de drogas e o porte ilegal de armas. A cidade apresentou em 2025 a maior taxa de homicídios por cem mil habitantes do Estado, superando os índices registrados até mesmo na cidade de São Paulo.
A ação intensificou o trabalho de policiamento em pontos considerados estratégicos da cidade, ampliando as abordagens preventivas com a presença de efetivo das forças de segurança.
Segundo informações da SSP (secretaria da Segurança Pública), Lorena registrou 27 vítimas de homicídio doloso e uma vítima de latrocínio – roubo seguido de morte, ao longo do ano. Os números resultaram em uma taxa de 31,8 homicídios por cem mil habitantes, a mais elevada entre os municípios paulistas com mais de cinquenta mil moradores. O índice é superior à média estadual, que ficou em 5,66 vítimas por 100 mil habitantes, e também acima da taxa registrada na capital paulista no mesmo período.
Durante a inauguração do Hospital Regional em Cruzeiro, na quinta-feira (5), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a região do Vale do Paraíba é desafiadora na questão da segurança. “Nós temos municípios com os piores resultados do estado, mas os índices da criminalidade vêm caindo também, como roubos e furtos”.
Para o combate à criminalidade na região, o governador citou a ampliação do projeto Muralha Paulista, programa de integração tecnológica de videomonitoramento entre Estado e municípios, atualmente com o uso de 94 mil câmeras em mais trezentas cidades paulistas e com foco em ampliar o sistema de vigilância e inteligência em segurança pública. “Como vamos enfrentar isso? Com efetivo e tecnologia. Em breve teremos mais 17 municípios com 100% de integração ao Muralha Paulista, e vamos adquirir mais sensores que vão aumentar a nossa capacidade de monitoramento”.
O comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior), coronel Luís Fernando Alves, responsável pela Polícia Militar no Vale do Paraíba, explicou que a integração entre as forças policiais Militar e Civil, prefeituras e Ministério Público é o que permitirá a redução da violência na região. Segundo ele, só o efetivo das polícias não resolve a criminalidade. É preciso a integração com os municípios, aumento do monitoramento, uso da inteligência artificial, de câmeras capazes de fazer a leitura das placas dos veículos e o reconhecimento facial.
Alves informou que dos homicídios registrados em Lorena no ano passado, 100% dos autores identificados e presos tinham reincidência criminal e 88% das vítimas também eram reincidentes, principalmente com o crime de tráfico. “Existe facção criminal agindo em Lorena e nós temos ocorrências envolvendo essas facções, é uma situação que precisa ser monitorada”. Para o coronel, Lorena é uma cidade pacata e segura, que está com um problema pontual. “Os demais índices de Lorena estão em queda, como roubo, roubo de veículos, furtos em geral. Nós temos um problema pontual e vamos resolver”.
O diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), Múcio Mattos Monteiro de Alvarenga, informou que o índice de resolução de homicídio no Vale do Paraíba chega a 70% dos casos e, em Lorena, o índice é de 50%. “Nós deslocamos uma equipe do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São José dos Campos para acompanhar as investigações em Lorena”.
Por Andréa Moroni
Lorena





