Um levantamento divulgado pelo Governo do Estado no último fim de semana revelou que a região bateu no ano passado o recorde de casos de estupros. As quatro cidades do Litoral Norte estão na lista dos sete municípios com mais registros.
Segundo dados da SSP (secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), a RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) contabilizou no ano passado 863 casos, sendo 628 cometidos contra vítimas vulneráveis menores de 14 anos ou que por condição física ou mental não podem se defender. O número representa uma média de um estupro a cada dez horas. O montante de casos supera em 6,5% o do ano retrasado, que foi de 810, sendo 571 contra vulneráveis.
O total de casos de 2025 é o maior em um ano desde o início da série histórica de levantamentos da SSP, que teve o primeiro lançado em 2001. Anteriormente, 2019 contabilizava o maior número de registros, 842.
Maior e mais populosa cidade da região, São José dos Campos liderou o número de estupros no levantamento, atingindo a marca de 209 casos. A vice-liderança regional ficou com Jacareí, que teve 107 vítimas, com Caraguatatuba aparecendo como a terceira cidade com 68 registros.
Um dos casos que mais chocou a população da cidade litorânea no ano passado ocorreu na madrugada de 10 de julho em uma casa no bairro Sumaré. Uma adolescente de 16 anos foi vítima de um estupro coletivo durante uma festa. A menor de idade relatou ao Conselho Tutelar que foi abusada sexualmente por duas vezes na casa de um adolescente de 15 anos. Após ser violentada por um grupo de rapazes no imóvel, a garota conseguiu fugir e pedir ajuda para um casal de moradores do Sumaré, que acionou a GCM (Guarda Civil Municipal) de Caraguatatuba. Com a calça ensanguentada, a vítima foi encaminhada à UPA (Unidade Pronto Atendimento) Central, onde recebeu o atendimento médico necessário antes de ser liberada. Dois menores, um de 15 anos e outro de 17 anos, foram apreendidos por ato infracional de estupro.
O Litoral Norte tem sido foco de atenção, após números preocupantes do último ano. Além de Caraguatatuba, Ubatuba, com 46 casos, São Sebastião com 43 e Ilhabela com 39 estão entre as seis cidades com maior índice no estado. Fora do Litoral, mas também com a característica turística, Campos do Jordão registrou 33 estupros.
Outros municípios da RMVale que foram palco deste tipo de crime foram Taubaté (52), Guaratinguetá (34), Lorena (25), Caçapava (21), Cruzeiro (19), Aparecida (16), Cachoeira Paulista (15), Tremembé (15), Cunha (8), Potim (8), Jambeiro (7), Lagoinha (6), Piquete (6), São Bento do Sapucaí (6), Paraibuna (5), Lavrinhas (4), Santa Branca (4), Santo Antônio do Pinhal (4), Areias (3), Bananal (3), Queluz (3), São José do Barreiro (3), Silveiras (3), Igaratá (2), Monteiro Lobato (2), Arapeí (1), Canas (1), Natividade da Serra (1), Redenção da Serra (1), Roseira (1) e São Luís do Paraitinga (1).
Procurada pela reportagem do Jornal Atos, a SSP ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e que, em 2023, criou a secretaria de Políticas para a Mulher.
A SSP listou as ações que vem realizando em busca de prevenir e combater casos de estupro no estado, como monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas; grandes operações policiais para prender agressores; funcionamento do aplicativo SP Mulher Segura para conectar, 24 horas por dia, mulheres em risco com a polícia; ampliação em 54% dos espaços especializados de atendimento às vítimas de violência, como Delegacias de Defesa da Mulher, inauguração de vinte Casas da Mulher Paulista, construção de outras 16 unidades para acolhimento de vítimas; criação do Movimento SP por Todas para dar visibilidade e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento e ainda a capacitação de mais de 135 mil profissionais de bares, restaurante e shows para ações de prevenção com o Protocolo Não se Cale.
Brasil – Um levantamento do Ministério da Justiça revelou no início desta semana que o país contabilizou mais de 83 mil casos de estupro no ano passado. O montante representa uma média de 227 vítimas por dia e equivale a um caso a cada seis minutos.
Crianças e adolescentes, principalmente meninas com menos de 14 anos compõem a vasta maioria das vítimas, correspondendo a mais de 70% das ocorrências (58.951 registros).
Lucas Oliveira
RMVale





