sábado, março 7, 2026
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Secretário destaca falta de recursos como motivo para alagamentos em Caraguá

Obras aponta que seriam necessários R$ 100 milhões para amenizar problemas; R$ 5 milhões “somente do trecho beira-mar do bairro Indaiá”

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As fortes chuvas dos últimos dias causaram diversos pontos de alagamento na região. Em Caraguatatuba, moradores dos bairros Porto Novo, Indaiá, Pontal Santa Marina, Jardim Britânia, Morro do Algodão e Martim de Sá relataram as situações de alagamento, que têm causado uma série de prejuízos.

O secretário de Obras, Gilson Mendes de Souza, revelou o valor necessário para amenizar os problemas de alagamentos na cidade. “Se me derem R$ 100 milhões eu gasto em drenagem. Somente do trecho beira-mar do bairro Indaiá vão R$ 5 milhões”, calculou. Souza explicou que ofícios e pedidos do recurso estão sendo encaminhados ao Governo do Estado de São Paulo.

De acordo com a Defesa Civil, vinte minutos de chuva foram o bastante para chegar ao acumulado de 30mm. O auxiliar administrativo Juan Levi, 33 anos, nasceu em Caraguatatuba e mora no Morro do Algodão, região sul da cidade. Sempre que chove, ele precisa mudar o caminho de rotina do trabalho para casa. “As ciclovias ficam submersas, aumenta o risco de quedas. Acredito que o crescimento desordenado populacional das construções e as invasões de locais de risco acabaram gerando esse problema”, contextualizou. O pluviômetro da Tabatinga, que fica na região sul, acumulou 70 mm de chuva, no fim de janeiro, segundo a Defesa Civil.

Em relação à causa do problema, que já é crônico na cidade, o secretário de Obras afirmou que, de fato, o crescimento populacional desordenado contribuiu. “A urbanização desenfreada e desordenada contribui, claro. Mas a topografia plana da cidade e o fato de estarmos ao nível do mar limita as soluções”, justificou.

O mestre em educação ambiental e professor de geografia José de Barros explicou que Caraguatatuba é formada por um processo geológico de rebaixamento natural do terreno, e o acúmulo de sedimentos vindos do mar e da Serra do Mar favorece a ocorrência de alagamentos. “De fato, o lençol freático de nossa planície é muito próximo ao nível do solo, dificultando a estruturação de obras de drenagem. Somado a isso, temos a influência das marés. Se a chuva for intensa durante o intervalo de maré alta, o escoamento é dificultado”, ressaltou.

A cidade possui cerca de 44 bairros, sendo 21 áreas com risco de escorregamentos de terra e 11 bairros com pontos de inundação. Além da necessidade do recurso, o poder público necessita de uma abordagem transversal, além de desacelerar as construções imobiliárias para mitigar os problemas de alagamento, segundo Barros.

“O curso d’água (dos rios) precisaria ter um traçado natural e serpenteado, em vez de retificado. Devemos restaurar mangues e restingas, restringir construções em áreas de preservação, ampliar áreas verdes (como parques lineares), utilizar pavimentação permeável e remover moradias em áreas de risco, além, é claro, de manter sistemas de drenagem eficientes” pontuou.

Em dezembro, durante o 7º Empreenda Caraguá, o prefeito Mateus Silva (PSD) celebrou a marca de mil alvarás liberados para construções imobiliárias na cidade.

O secretário de Obras ressaltou que precisam realizar manutenção dos bolsões – sarjetão – em toda cidade. “Todo o cruzamento de rua possui um ‘sarjetão’, porque mais de 95% do nosso escoamento de águas pluviais é superficial, e não por galerias, porque não podemos fazer”.

Sobre as limpezas, a Sesep (secretaria de Serviços Públicos) informou que possui um calendário mensal de limpeza que inclui limpeza dos córregos e canais extravasores, capina, podas e desobstrução de valas de drenagem.

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