Transição assistida
O prefeito Mateus Silva reuniu os vereadores para tratar da transição na gestão da Saúde, com a substituição da antiga Organização Social pela nova OS que assumirá o serviço em Caraguatatuba. Para evitar ruídos e garantir segurança aos trabalhadores, a Prefeitura passou a assumir diretamente os pagamentos, mantendo salários em dia e assegurando que as rescisões do contrato anterior serão feitas sob responsabilidade da administração municipal. A troca segue cronograma definido, contará com equipe extra para manter o atendimento e será acompanhada por uma comissão com participação do Legislativo – um gesto de transparência que tira o tema da especulação e coloca luz no processo.
Cinzas frias
Depois do palanque armado com IPTU e taxa do lixo em Pinda, o incêndio virou cinza mais rápido do que o script da oposição. Com o prefeito Ricardo Piorino corrigindo distorções e reduzindo excessos, sobrou a pergunta: qual será o próximo episódio da série? Por ora, o discurso segue no rescaldo – repetido à exaustão pelo casal Goffi nas redes e por Vela, que, sem assunto novo, segue orbitando Piorino como ave que vive de carcaça, não de proposta.
Ponte aérea
O prefeito de Canas, Gustavo Lucena, entrou na rota Brasília–Vale nesta semana em busca de emendas parlamentares, aproveitando a janela curta antes do calendário eleitoral apertar. O desembarque foi produtivo: R$ 2,5 milhões já carimbados no Orçamento da União de 2026. Nos bastidores, a leitura é direta – enquanto o tempo corre contra, Gustavo corre a favor do caixa do município.
Replay
O prefeito de Silveiras, Edson Mota, circulou com desenvoltura pelos ministérios em Brasília, bem escoltado pelo núcleo duro do PL – Valdemar da Costa Neto e o deputado Marcio Alvino. Na reta final da temporada de emendas, o objetivo é claro: garantir fôlego para saúde e infraestrutura. A aposta não é pequena: repetir em 2026 o desempenho do ano passado, quando trouxe R$ 6 milhões. Por enquanto, R$ 2,5 milhões já estão na conta. Trânsito aberto, porta certa e influência em dia.
Dinheiro ao vivo
Enquanto muitos prefeitos batem à porta de Brasília atrás de recursos, o de Potim, Emerson Tanaka, preferiu o caminho direto: a Câmara Municipal. Pediu autorização para contratar R$ 13 milhões via FINISA, com destino anunciado à infraestrutura, sobretudo pavimentação. O inédito não é o empréstimo, mas o convite feito aos vereadores para indicarem demandas que entrarão no cronograma das obras. Nos bastidores, só um parlamentar acendeu o alerta: aprovar é fácil; difícil será manter liberdade para investigar depois.
Confiabilidade
A tentativa do chamado “G5” – o bloco dos cinco vereadores do contra em Aparecida – de espalhar espanto e desconfiança com a abertura de uma CEI sobre o suposto duplo salário do vice-prefeito saiu pela culatra. No pós-sessão, o que se ouviu nas ruas foi o oposto do esperado: moradores passaram a defender o prefeito Zé Louquinho e o vice, professor Wesley, vistos como figuras confiáveis à frente da Prefeitura. Já o grupo rebelde ficou com o ônus de quem faz barulho, mas não convence – e ainda ajuda a fortalecer quem tentou atingir.
Filme repetido
O chamado “G5” da Câmara de Aparecida até tenta atravancar a administração do prefeito Zé Louquinho em alguns pontos, mas esbarra num detalhe incômodo: a aprovação do governo segue em alta, confirmada por duas pesquisas recentes, com direito a melhora na avaliação da saúde municipal. No jogo real da política, fica o aviso aos navegantes: eleição não se ganha em bloco barulhento, mas no CPF de cada vereador. E, ao que tudo indica, a conta entre Executivo e Legislativo não está fechando do mesmo jeito para todo mundo.
Lei de Murphy
Quando tudo parecia seguir em linha reta rumo à Assembleia, a pré-candidatura de Dani Dias ganhou uma pedra inesperada no caminho. O já “profetizado” anúncio de Silvio Sanzoni como candidato a deputado estadual saiu do campo da especulação para a confirmação. Nada demais – não fosse o detalhe de Sanzoni ser CEO do grupo Metropolitana de rádios, justamente onde Dani atua como âncora em Guaratinguetá. Coincidência? A política adora essas ironias: às vezes, o vento muda bem no meio do percurso.
Rota de colisão
Vereadora mais votada em 2020 e terceira colocada na disputa pela Prefeitura de Guará em 2024, com mais de 15 mil votos, Dani Dias vinha traçando rota firme rumo à Assembleia Legislativa. Mas a entrada de Silvio Sanzoni no páreo mudou o tráfego. Agora, o dilema é indigesto: atropela o patrão e corre o risco de perder o microfone depois de 5 de outubro, ou desvia para a federal, disputando votos com Marcus Soliva e Regis Yasumura, que já nadam na mesma raia? Na política, quando o caminho fecha, nem todo desvio é seguro – alguns levam direto para o acostamento.
Virada histórica
A inauguração do Hospital Regional do Vale Histórico e Circuito da Fé representa um divisor de águas na saúde pública da região. Fruto de articulação política conduzida por Thales Gabriel e viabilizado durante a gestão do prefeito Kleber Silveira, o equipamento 100% SUS conta com 210 leitos e estrutura para atendimento de média e alta complexidade, beneficiando diretamente 17 municípios. Mais que uma obra, o hospital simboliza a presença efetiva do poder público, reduz distâncias, encurta filas e concretiza uma espera que atravessou décadas. Com a entrega, Cruzeiro consolida seu papel como polo regional de cuidado – resultado de planejamento, decisão política e capacidade de execução.
Palco cheio, recado dado
A inauguração do Hospital Regional extrapolou a agenda administrativa e virou demonstração de força política. Com o governador Tarcísio de Freitas, o vice Felício Ramuth, o presidente da Alesp André do Prado, o conselheiro do TCE Marco Bertaiolli, cerca de cinco deputados, quatro secretários de Estado e algo próximo de 90% dos prefeitos do Vale, o ato confirmou o peso regional do projeto. Entre vereadores, lideranças e uma multidão presente, o sentimento foi de missão cumprida – e de largada dada. Cruzeiro saiu do papel de expectativa para o de vitrine política, tornando-se território estratégico para quem mira a disputa proporcional. Quem leu o cenário, já começou a acelerar.
Passarela lotada
Entre os políticos com CEP em Lorena, a inauguração virou vitrine de ambições. O empresário Renato Marton circulou com claros ares de prefeiturável, exibindo proximidade estratégica com alguns vereadores. Sob olhares atentos – e pouco discretos – da concorrência, Marton desfilou pela mesma passarela ocupada por Marietta Bartelega, Élida Vieira, Lucas Mulinari, Rita Marton e professor Sávio Fortes. Nos bastidores, os cochichos já não falam só em vaga ou presidência da Câmara: dizem que Sávio mira, sem disfarce, a cadeira do Executivo. Traduzindo: sonho não falta, espaço é pouco – e a fila anda cheia de cotovelos.
Silêncio cirúrgico
No burburinho político do Hospital Regional de Cruzeiro, um contraste chamou mais atenção que discursos: o silêncio milimetricamente calculado de Diego Miranda. Fora da corrida direta à Alesp, evita cruzar o caminho de Thales Gabriel – e há quem jure que até ajuda. Até aí, jogo normal. O arrepio veio com os cochichos sobre uma possível aproximação com Kleber Silveira, mirando projetos futuros. Bastou isso para sobrancelhas subirem, rádios-corredor acelerarem e o ciúme político entrar em cena. Às vezes, o silêncio faz mais barulho que palanque.
Cada um por si
A entrega do Hospital Regional de Cruzeiro escancarou que, no topo, o campo está relativamente pacificado para a recondução de Tarcísio de Freitas. Abaixo dele, porém, o cenário foi de cotoveladas e disputas silenciosas. Ortiz Junior tentou abafar o protagonismo de Thales Gabriel, já com o olho cravado nas urnas de 5 de outubro, mas não contava com Marco Bertaiolli, que tratou de devolver o foco ao ex-prefeito. Toninho Colucci ensaiou pertencimento regional, ainda sob a mira afiada de Marcus Soliva. Com leveza calculada, a deputada Letícia Aguiar circulou ao lado de Regis Yasumura, enquanto Dr. Isael Domingues, em carreira solo, fez corpo a corpo em todas as direções, sem escolher trincheira. Para completar, a guerra paralela entre assessores mostrou que, longe do palanque principal, a disputa real já começou – e não é nada amistosa.





