O pagamento via Prefeitura por um show da cantora Eliana Ribeiro, na Canção Nova, em Cachoeira Paulista, levou a um pedido de abertura de comissão processante contra o prefeito Breno Anaya (PP) na Câmara. A proposta do vereador Michel do Xandão (PP) foi rebatida pelo chefe do Executivo, que garantiu que a contratação foi feita por via legal.
O show, que teve valor de R$ 110 mil, foi realizado no evento “Congresso a Virgem Maria Consagra-te”, realizado de 20 a 22 de fevereiro, na Comunidade Canção Nova. “Eu não tenho nada contra a Canção Nova, nem contra a Eliana Ribeiro, mas é uma irresponsabilidade o prefeito sacar um valor de R$ 110 mil do Tesouro Municipal para pagar esse show para uma entidade privada. E a cidade passando por diversas dificuldades”, apontou o denunciante.
O pedido de criação de uma processante para analisar a denúncia deve ter andamento na sessão, da próxima terça-feira (10). “A população está revoltada com essa situação, mas eu tenho certeza que a Câmara dará uma resposta à altura para a população pagadora de impostos”, avaliou o parlamentar.
Depois da denúncia de Michel do Xandão nas redes sociais, o Conselho Municipal de Políticas Culturais de Cachoeira Paulista emitiu nota onde manifesta profunda indignação e veemente repúdio à contratação direta e ao pagamento de R$ 110 mil de cachê para apresentação da cantora.
Segundo o órgão, “o referido evento possui natureza privada e foi realizado em local de domínio privado, sem garantia de acesso amplo à população de Cachoeira Paulista e sem divulgação que possibilitasse a participação dos munícipes. Ainda assim, recursos públicos foram utilizados para custear essa apresentação (trecho da nota)”.
A decisão da Prefeitura, ainda segundo o conselho, “causa indignação e perplexidade, especialmente diante das reiteradas alegações por parte do poder público municipal de falta de recursos para investimentos em cultura, justificativa frequentemente utilizada para negar apoio a projetos culturais, eventos públicos e iniciativas de artistas e fazedores de cultura da nossa cidade”.
Outro lado – Breno Anaya afirmou que foi pego de surpresa pelo pedido de instalação de uma comissão processante na Câmara, com a possibilidade de cassação do mandato. “Eu não recebi nenhum requerimento ou ofício pedindo explicações. Fiquei sabendo da denúncia pelas redes sociais”.
O prefeito salienta que a contratação foi feita de maneira regular, de acordo com a Lei de Licitações e Contratos. “O evento foi aberto ao público, gratuito, teve a divulgação de livre acesso. Nós, como Prefeitura, mantemos diversas parcerias, com instituições públicas e privadas, para o fomento do turismo em nossa cidade”.
Para Anaya, o evento está sendo usado para criar narrativa política e obter engajamento nas redes sociais. “Não houve roubo ou dolo e tivemos os trâmites legais e para que o evento ocorresse. Nós vamos informar a todos sobre essa contratação, com a maior transparência”.
Andréa Moroni
Cachoeira Paulista





