terça-feira, janeiro 20, 2026
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O necessário Márcio Meirelles e sua Atos & Fatos

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Tempo de leitura: 2 min

No Brasil de 2001 não faltavam assuntos. A crise energética que levou ao apagão, os embaraços do governo de Fernando Henrique Cardoso e os reflexos de um novo conflito internacional, com a guerra norte-americana para derrubar o Talibã e a Al-Qaeda. O cenário era propício para quem se dispusesse a analisar o início do século. Foi neste momento que o professor Márcio Meirelles deu início à uma mais que necessária parceria com o Jornal Atos de Eder Billota: foi assim que nasceu, naquele 12 de janeiro, a coluna Atos & Fatos.

Como ele mesmo descreveu em vídeo publicado nas redes sociais do Atos, nesta segunda-feira em que este texto é formulado, “relendo as primeiras colunas, às percebo leves, mordazes e hilárias”. Vinte e cinco anos depois, o autor sabe que os desafios parecem ser maiores para falar com o brasileiro, um ser mais complexo, radical e, até por isso, sua coluna se faz ainda mais necessária.

A comunicação daquele primeiro ano da primeira década era feita por caminhos mais estreitos que os atuais, estruturados pelas redes sociais e tudo que nela há de bom e de venenoso. Mas por “estreito”, o leitor não deve entendê-lo como precário no exercício de levar ao final de cada texto uma análise aprofundada sobre os fatos. Naquele Brasil de FHC, o contrário parecia mais aceito. As ideias descritas eram recebidas, mesmo que recheadas de um saboroso e leve sarcasmo. Afinal de contas, era possível naquele país de 2001 dizer que “o rei estava nu”. Aliás, um exercício saudável.

Do governo tucano, Meirelles acompanhou a derrocada e a ascensão petista com Luiz Inácio Lula da Silva. Altamente crítico ao presidente que assumiria em janeiro de 2022, o autor não poupava nas linhas. Sabia e demonstrava que o “paz e amor”, parecia ser algo para inglês, ou eleitor, ver. Analisou, criticou e desvendou os dois mandados do ex-operário. Do crescimento econômico e a queda da inflação às denúncias do Mensalão. Foi assim também com sua sucessora, Dilma Rousseff, até seu impeachment. Nas páginas daquele Atos, Meirelles discorreu sobre a Lava-Jato, o curto período de Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro, que daria ao autor o grande desafio de repensar sua escrita. Com o militar no poder, o Brasil para quem o Atos & Fatos falava era outro. Um Brasil que lia e pensava menos e reagia mais.

Era hora de encarar a polarização e suas rachaduras sociais. De 2018 pra cá, Márcio Meirelles se viu no alvo, assim como qualquer outro que ousasse pensar o Brasil fora da caixa “Lula X Bolsonaro”.

A cada texto, uma missão: se fazer entender. A cada análise, a amarga tentativa de abrir o balão de comunicação numa página radicalizada. “Um Brasil que dói”. O professor cita a ministra Cármen Lúcia do STF, em seu voto no julgamento de Bolsonaro, para estampar a crise de compreensão de texto e do contexto pela qual passa a sociedade. Sentar-se à frente do computador para escrever a coluna semanal é quase que uma tarefa de quem tenta amenizar a dor da ferida profunda com uma folha de bálsamo. Dolorido, dificultoso, fatigante, mas necessário.

Necessário como o professor Márcio Meirelles. Necessário como a coluna Atos e Fatos. Necessário como o exercício de pensar o Brasil. Pois que venham mais 25 anos necessários.

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