terça-feira, janeiro 20, 2026
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Proposta da MRS por viaduto tem protesto de moradores, repúdio da Câmara e avaliação da Prefeitura

Empresa quer passagem sobre linha férrea em Lorena e fechar passagens de níveis das ruas Principal e Dom Bosco; contrários questionam segurança, mobilidade e comércio

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Tempo de leitura: 3 min

A proposta para a construção de um viaduto na região central de Lorena, divulgada pela MRS Logística, na última semana, continua dividindo opiniões na cidade. Enquanto a Prefeitura segue destacando a necessidade da realização de audiências públicas, vereadores usaram a sessão da segunda-feira (10) para questionar a empresa, enquanto moradores realizaram uma manifestação cobrando transparência e estampando contrariedade ao projeto.

Na quarta-feira (12), cerca de cinquenta pessoas se reuniram na praça Marechal Mallet, a Praça da Estação, no Centro de Lorena, para dar início à uma ação de protesto à construção do viaduto, apresentado ainda de forma “não oficial” pela MRS, responsável pela malha ferroviária no estado. Se aprovado, a via ligará o local à praça Conde de Moreira Lima, a Praça da Biblioteca, onde também está localizada a Santa Casa de Misericórdia.

A empresa anunciou que está realizando um estudo de viabilidade técnica, acompanhado pela Prefeitura, e projeta mudanças como o fechamento de passagens de níveis consideradas destaque para o trânsito.

Aos gritos de “viaduto não!”, o grupo de manifestantes debateu as dúvidas sobre a construção, iniciou um abaixo-assinado e percorreu a rua Dr. Rodrigues de Azevedo, a Rua Principal, até a praça Dr. Arnolfo de Azevedo, em ato finalizado com a promessa de novas cobranças.

“Todos sabemos que no passado já houve esse debate, já houve esse conflito. Tentaram fechar aqui (passagem de nível na Rua Principal) e houve diversos prejuízos sociais com estupros, furtos e reunião de pessoas em situação de rua. Sabemos que a política social do município e do estado não é suficiente”, destacou o representante dos manifestantes, Gabriel Samahá. “O que nós exigimos é que a população tenha voz, decida de uma forma participativa, que seja capaz de influir nisso e que não modifique o patrimônio da cidade, porque aqui nós temos patrimônios históricos também, patrimônio cultural”.

Débora é taxista há quase 18 anos e atua em um ponto na praça Marechal Mallet. “Eu sou totalmente contra essa construção do viaduto, principalmente nessa história de formar um paredão, dividir a cidade. Vai atrapalhar a Santa Casa, que é próxima, a correria dos comerciantes, dos taxistas também. A cidade precisa sim de um progresso, só que precisa de muita coisa antes de pensar num mero viaduto”.

O policial penal João Henrique Darlan, 57 anos, é favorável à proposta, mas ressaltou a importância de atender a população. “Depende do projeto a ser apresentado, espaço físico tem, sem prejudicar o trânsito e o comércio. A rede ferroviária tem segurança e a Prefeitura tem segurança, acho que pode ser fechada (a passagem de nível) e aberta a pedestres e ciclistas, que dependem para trabalhar ou vir ao Centro a lazer”.

A proposta da MRS integra um conjunto de ações e investimentos federais vinculados à concessão ferroviária fiscalizada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e foi motivada pela busca de alternativas para a adequação da infraestrutura ferroviária urbana, devido à previsão de aumento do volume e da velocidade dos trens nos próximos anos para atender à crescente demanda industrial na região.

Na última semana, a Prefeitura de Lorena havia revelado, em nota, que a proposta, que está na fase inicial, além da construção de um viaduto, sugere a remodelação da praça Conde de Moreira Lima e o fechamento das passagens de nível das ruas Dom Bosco e Dr. Rodrigues de Azevedo. A administração municipal deve marcar audiências públicas para debater o projeto de mobilidade.

“A Prefeitura não tem nada a ver com isso, mas eu, como prefeito, sou a favor que não mexa naquela área, porque vai atrapalhar o movimento e os comerciantes. Então ficou agora de fazer algumas audiências públicas para conversar”, destacou o prefeito Sylvio Ballerini (PSD).

Na Câmara, os vereadores aprovaram uma moção de apelo apresentada pela presidente Élida Vieira (Podemos) e assinada pelos 17 parlamentares, que pede informações oficiais sobre a possibilidade de construção. “Somos contra qualquer atitude que venha ao desencontro da vontade popular. Somos contra qualquer atitude em que não haja uma discussão popular. A Câmara está exigindo da Prefeitura e dos órgãos técnicos que sejam abertas todas as tratativas com a MRS e a ANTT e que sejam convidados representantes da Câmara e do grupo do movimento contrário ao viaduto”, frisou Élida.

Segundo o Município, a MRS ainda não emitiu documentação formal sobre o projeto, como autorizações, pareceres técnicos da ANTT, licenças ou relatórios de execução.

A Prefeitura informou que está realizando estudos próprios sobre a viabilidade de construção de um viaduto sobre a linha férrea ligando os bairros São Roque e Vila Rica, considerada uma intervenção prioritária para a melhoria da mobilidade e integração viária da cidade. “Um dos diretores da MRS falou ‘é uma coisa de futuro, mas vocês também têm que fazer. Se vocês não quiserem… só que o trem vai passar com uma velocidade maior e com muitos vagões. Ao invés de esperar dez minutos, vão esperar trinta’”, contou Ballerini.

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