China no radar
Enquanto muita gente só enxerga as urnas de outubro, Marcos Mayor parece manter um olho também no tabuleiro interno da Câmara de Pinda. Nos corredores, circula que o presidente estaria pavimentando terreno para Everton Chinaqui aparecer fortalecido na sucessão do comando da Casa. Se a costura prosperar, Chinaqui poderá descobrir que, no Legislativo, chegar à presidência começa muito antes da eleição — e geralmente longe do plenário.
Muito cacique
Ubatuba virou parada quase obrigatória para candidato que pretende representar o Litoral Norte. Com tanta gente desembarcando atrás do mesmo eleitor, a campanha parece temporada de verão: muita circulação e espaço disputado. Depois vem a parte difícil — conferir quem realmente deixou voto na areia.
Depois da Prefeitura
Rominho ainda tem mandato pela frente em Piquete, mas, impedido de disputar nova reeleição consecutiva, seu futuro já alimenta especulações. As rodas políticas citam Estado, Brasília ou até uma secretaria municipal na região — Lorena aparece entre as hipóteses comentadas. Pelo visto, quando chegar a hora de entregar a chave da Prefeitura, ele pode até deixar a cadeira, mas não necessariamente o estacionamento do poder.
Divórcio concencioso
Repercute na periferia política de Pinda a provável separação entre Ricardo Piorino e seu antecessor, Isael Domingues. Mas há um detalhe que embaralha a conta: fora do universo dos comissionados, há eleitor que continua com Piorino na Prefeitura e, ao mesmo tempo, mantém o voto em Isael. Traduzindo: liderança pode romper por cima sem obrigar eleitor a pedir divórcio por baixo.
Lei de Murphy
Rola nos bastidores de Pinda que o ex-vereador Herivelton Vela vem tentando encontrar a fórmula para fazer seu projeto eleitoral voar além da Câmara Municipal — só estaria faltando combinar com as urnas. A nova cartada teria sido a mudança de partido e uma aproximação política com Geraldo Alckmin. No Mercadão, onde especulação política não paga aluguel, os politiqueiros já sacaram a velha Lei de Murphy para provocar: “não há nada tão ruim que não possa piorar”. Maldade pura. Afinal, hora que abrir as urnas no domingo, Vela deverá aliviar…
Hora da entrega
Tem gente de calculadora na mão esperando para conferir o tamanho do pacote eleitoral que Ana Paula Goffi prometeu entregar às lideranças do União Brasil. A vereadora trabalhou sua candidatura e buscou ampliar território, mas promessa de voto tem uma particularidade cruel: até domingo aceita argumento; depois da urna, vira matemática. E matemática eleitoral não costuma aceitar justificativa
Vale qualquer dupla
A três dias das urnas, Magrão pisa no acelerador em sua corrida para Brasília e simplificou o discurso: o eleitor pode escolher o estadual que quiser, desde que ajude Carlos de Moura a preencher a casinha de deputado federal. É praticamente o candidato “sem venda casada”. Nesta altura do campeonato, Magrão não quer discutir quem vai no banco do passageiro. Quer combustível para chegar a Brasília.
Gerações em jogo
No Litoral Norte, a campanha de Antonio Carlos parece disputar também uma batalha de gerações. Entre o eleitorado mais maduro, o ex-prefeito aposta no recall de quatro mandatos em Caraguá e de sua passagem pela Assembleia. Já Michelli Veneziani tem trabalhado muito para fazer o sobrenome circular entre os mais jovens. O problema é que, nessa faixa, a concorrência também chegou de rede armada. Herdar memória política pode ser mais fácil do que conquistar eleitor novo.
Palanque cheio
De São José dos Campos para o restante do Vale, Renata Paiva tenta ampliar o raio da campanha federal reunindo no entorno nomes como o prefeito Anderson Farias, o vice-governador Felicio Ramuth e candidatos à Alesp, com Jorge Caruso entre os destaques. É a velha lógica eleitoral: candidato a federal procura estaduais para multiplicar dobradinhas e territórios. No palanque de Renata, pelo visto, cadeira vazia não faz parte da decoração
Fila invertida
Com Thales Gabriel, a movimentação chama atenção pelo caminho inverso. Em vez de o candidato à Alesp correr atrás de federais para completar dobradinhas, são diferentes postulantes a Brasília que procuram aproximação com seu nome e sua base regional. A explicação está impressa na própria urna: deputado estadual ocupa cinco dígitos; federal, quatro. E tem muito candidato olhando para o eleitor de Thales e pensando justamente nos quatro primeiros espaços. Em política, até a ordem dos números pode revelar quem está correndo atrás de quem.
Contas separadas
A turbulência no Hospital Frei Galvão, com uma pesada leva de demissões na enfermagem, colocou as antenas políticas de Guará em alerta justamente quando avançam as tratativas para a continuidade da gestão da UPA 3 pelo Hospital de Amor. Entre os bem informados, a curiosidade é quase contábil: qual é, afinal, a relação administrativa e financeira entre as estruturas e seus respectivos CNPJs? Eventuais dificuldades de um lado poderiam produzir reflexos do outro — ou são caixas absolutamente independentes? Ninguém está antecipando diagnóstico. Mas, quando o assunto é Saúde e dinheiro público, perguntar antes costuma sair bem mais barato do que explicar depois.
Perguntar não ofende
Até onde vai a autoconfiança do “G5” na Câmara de Guará quando o assunto é incluir no pacote político a presidência da Casa no segundo biênio? Pelos corredores, parece haver gente contando voto antes mesmo de abrir a urna. Só falta combinar com os demais vereadores — pequeno detalhe…
Depois das urnas
O que muitos querem saber em Guará é como ficará a convivência entre as correntes que sustentam Junior Filippo depois da eleição. Pelo menos três alas da base fizeram escolhas eleitorais diferentes. Domingo termina a campanha; segunda-feira começa aquela tradicional modalidade política chamada “somos todos do mesmo time”.
Dois relógios
No governo Junior Filippo, parece haver setores trabalhando em fusos horários diferentes. Enquanto o núcleo duro corre para transformar planejamento em obras e entregas, outras áreas dão a impressão de gastar mais sola de sapato nas articulações para 2028. O problema é que calendário administrativo e calendário eleitoral raramente marcam a mesma hora.
Artilharia pesada
Nem baixou a poeira do BO envolvendo Marciano e o vereador Babu Branco na Câmara de Cruzeiro, e o radialista cumpriu a promessa de apresentar nova denúncia, agora contra o prefeito Kleber Silveira. A bola caiu no colo de Paulo Felipe. Politicamente, a pergunta é inevitável: o presidente administra o rojão ou acende o pavio? Cruzeiro aguarda o próximo capítulo.
Tudo a seu tempo
Em Cruzeiro, a eleição parece ter entrado de vez no gabinete de Kleber Silveira. Nos bastidores, atribuem ao prefeito uma prioridade: ajudar a eleger seu aliado para que a parceria política atravesse 2026 e continue mirando 2028. Traduzindo: primeiro resolve-se a urna de domingo; a próxima, por enquanto, fica no congelador.
Grupo paralelo
Diego Miranda (ainda do NOVO) apareceu no trio elétrico do PL levantando a bola de Márcia, candidata à Alesp, e foi suficiente para as conjecturas ganharem as ruas. A cena chamou ainda mais atenção porque, enquanto Kleber Silveira, também do PL, prestigiava Thales Gabriel na Praça da Rua 7, seu partido reunia eleitores na Praça da Caravela pró-Marcia. Em Cruzeiro, pelo visto, até a mesma sigla consegue frequentar dois palanques sem precisar trocar de camisa.
Alô, é ao vivo?
No Litoral Norte, parece que algumas amizades políticas ganharam novo protocolo: antes de falar “alô”, melhor perguntar se o REC já está ligado. O enredo é curioso: ontem tinha agradecimento, parceria e até ideia de homenagem; hoje, conversa gravada e ata notarial — tudo, claro, em nome da “precaução”. Rompimento político acontece até nas melhores famílias, mas essa modalidade deixou gente com a pulga atrás da orelha. Agora, quando certo telefone tocar, talvez seja prudente atender como nas antigas secretárias eletrônicas: “após o sinal, deixe sua mensagem… e escolha bem as palavras”. Afinal, nesse pedaço do litoral, conversa pode até começar privada — o destino dela é que virou uma caixinha de surpresas.
Fiscal de plantão
O vereador Danster Fernandes colocou mais uma lupa sobre a Prefeitura de Caraguatatuba e conseguiu no TCE-SP a anulação da licitação para locação de computadores e softwa res. Fiscalizar é obrigação — e, neste caso, o Tribunal Pleno acolheu questionamentos sobre o modelo da contratação. O problema começa quando a lupa vira acessório permanente: oposição em excesso acaba colocando areia nas engrenagens da máquina pública. E como desconfiança parece andar em alta no cotidiano de alguns vereadores, talvez valha aquela velha receita: antes de investigar o quintal alheio, uma autoleitura pode preserva um mendato. Fiscalização é saudável; transformar suspeita em estilo de vida já é outro departamento.
Faixa reservada
Na Câmara de Lorena, a possível eleição da futura mesa nesta quinta-feira, parece ter uma cadeira bem menos disputada que as demais: a Presidência. Pelo desenho político atual, a temperatura estaria concentrada mesmo na vice. É ali que as conversas ganham volume, os compromissos são relembrados e cada voto passa a valer mais que promessa em véspera de eleição. Tem cadeira que se conquista no plenário; outras fora dele.
Última chamada
Com a eleição batendo à porta, vereador de Lorena que abraçou candidato a deputado entrou na fase do “é agora ou nunca”. Telefone, mensagem, reunião, cafezinho e aquela abordagem carinhosa em eleitor que talvez nem lembrasse da amizade. Domingo abre as urnas; depois, abre-se a calculadora. E aí cada padrinho descobrirá exatamente quanto pesa — eleitoralmente — o próprio abraço. Esperto foi aquele que mesmo devolvendo grana, se alinhou a um grupo para como sempre, esconder no trabalho alheio seu blefe eleitoral…
Promessa grande
Por falar em calculadora, dizem que alguns vereadores em Lorena andam mais estressados que candidato olhando pesquisa ruim. Teriam prometido aos seus deputados uma quantidade de votos que agora parece grande demais para caber na sacola. O problema de vender o peixe antes da pescaria é que chega uma hora em que alguém pede para ver o tamanho do pescado.
Asinhas aparadas
Enquanto a Câmara olha para as urnas, no Paço de Lorena parece haver atenção redobrada com alguns “franquinhos” que começaram a ensaiar voo próprio. Pelos corredores, a sensação é de que certas asas estariam sendo discretamente aparadas para ninguém ganhar altitude além da autorizada. Afinal, em política, até pintinho que bate asa demais pode começar a imaginar que virou galo.
Pingo é letra
E talvez seja justamente aí que esteja a mensagem mais interessante do momento político de Lorena. Entre eleição da Mesa, votação para deputado e ajustes internos no Paço, pequenos movimentos dizem muito mais que grandes discursos. Quem ganhou espaço observa; quem prometeu votos faz conta; quem pretende crescer mede as asas. Para bom entendedor, um pingo continua sendo letra — e ultimamente tem muito pingo caindo fora da frase…
Carta no baralho
O secretário Lucas Mulinari, que acumula Serviços Urbanos e Meio Ambiente, mostrou no Atos no Rádio por que vem ganhando espaço no governo Sylvio Ballerini. Entre os assuntos, destacou a aquisição de uma área de 20 alqueires para o novo Aterro de Inservíveis, medida que promete aliviar os moradores do Novo Horizonte, hoje vizinhos do atual depósito. Para a área antiga, Mulinari revelou que ele e Ballerini estudam alternativas, entre elas um parque linear, com a definição passando também pela população. Com trânsito em duas pastas estratégicas e presença cada vez mais visível, Lucas já ganhou nos bastidores o apelido de “coringa” do governo. E como 2028 ainda está longe, ninguém confirma nada. Mas concorrente prevenido costuma prestar atenção até em coringa…o no principal benefício: a ampliação da rede e do alcance dos serviços.
Por Eder Billota




