Dois trabalhos desenvolvidos por pesquisadores da EEL-USP (Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo) foram reconhecidos no 5º Congresso Internacional de Engenharia Ambiental, realizado entre os dias 1 e 3 de setembro, em Curitiba-PR. Entre quase oitocentas pesquisas apresentadas, uma ficou entre as dez melhores e outra foi selecionada para publicação em uma edição especial da revista Ensaios de Geografia.
Os estudos integram projeto coordenado pela professora doutora Danúbia Caporusso Bargos. Um deles usa dados de estações meteorológicas para gerar indicadores de temperatura dos 645 municípios paulistas. Segundo a pesquisa, a distribuição das estações é desigual, com falhas que, em alguns anos, chegam a 100% em alguns locais. O método de estimativa também pode influenciar a identificação de eventos extremos, como ondas de calor.
Um dos autores da pesquisa, o professor doutor Fabiano Fernandes Bargos, afirmou que “o principal desafio foi transformar dados coletados em pontos específicos do estado em informações confiáveis para os 645 municípios paulistas”. De acordo com o pesquisador, não basta aplicar um método matemático aos dados disponíveis, sendo necessário considerar também a qualidade e a cobertura das informações utilizadas.
O segundo estudo criou um índice de vulnerabilidade climática. Partindo de cerca de seiscentas variáveis da literatura científica, os pesquisadores chegaram a 28 indicadores, reunidos em três dimensões: exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa. Os resultados mostram que cerca de 20% dos municípios paulistas estão em vulnerabilidade alta ou muito alta, concentrados principalmente no interior e no oeste do estado.
Para Danúbia, um dos pontos identificados pelo estudo é que estar mais exposto a eventos climáticos não significa necessariamente apresentar maior vulnerabilidade. Há municípios com exposição elevada e melhores condições de adaptação, enquanto outros, mesmo com menor exposição atual, apresentam fragilidades que podem aumentar os impactos. “Isso mostra por que é importante olhar para as três dimensões conjuntamente”.
A proposta dos pesquisadores é que os dados possam ser utilizados como subsídio para o planejamento de ações de adaptação. Dependendo das características encontradas em cada município, as necessidades podem envolver áreas como saúde pública, saneamento, infraestrutura verde, recursos hídricos, planejamento urbano e preparação para eventos extremos.
O projeto, desenvolvido na EEL-USP, em Lorena, com participação de docentes do Departamento de Ciências Básicas e Ambientais e apoio da Fusp (Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo), deve ter continuidade com a incorporação de novas variáveis e a criação de uma plataforma para organizar e disponibilizar os resultados às prefeituras e gestores públicos.
“Desenvolver esse tipo de pesquisa a partir de Lorena e da EEL-USP é importante porque mostra também o papel que a universidade pública, no interior, pode desempenhar na compreensão de problemas que ultrapassam sua região imediata. Estamos localizados no Vale do Paraíba, um território que reúne diferentes questões ambientais e urbanas e que também vivencia desafios relacionados às mudanças climáticas”, destacou a pesquisadora.
Raphaela Dias
Lorena




