Moradores do Vale do Paraíba que convivem com diabetes tipo 2 podem se candidatar a participar de um estudo clínico em andamento em Lorena. O Centro de Pesquisas Clínicas do Vale do Paraíba – Pesquisa Vale está recrutando voluntários para pesquisas que avaliam medicamentos ainda não disponíveis nas farmácias e que podem futuramente chegar ao mercado.
Atualmente, o Pesquisa Vale conduz dois estudos voltados a pacientes com diabetes tipo 2. Um deles é destinado a pessoas que, além da doença, também apresentam alteração no colesterol. O outro contempla pacientes apenas com diabetes tipo 2, não excluindo outras comorbidades. Um dos protocolos aceita participantes entre 18 e 85 anos; o outro não estabelece idade máxima.
De acordo com a coordenadora do centro, Lívia Silva, os estudos estão na fase 3, etapa em que o remédio já foi avaliado em grupos menores. “É a fase de bula. Agora o medicamento está sendo testado em grande escala, em vários centros do Brasil, para avaliar eficácia e possíveis efeitos adversos”. Ela explicou que cada pesquisa envolve, em média, de 400 a 500 pacientes em nível nacional, distribuídos entre diferentes centros contratados pela indústria farmacêutica responsável pelo desenvolvimento da medicação.
Segundo Lívia, desde 2024, quando iniciou as atividades no bairro Olaria, em Lorena, o Pesquisa Vale já realizou quatro estudos: um sobre asma, já encerrado, um sobre diabetes pausado por decisão da indústria devido à falta da medicação, e dois atualmente em andamento. O estudo concluído contou com vinte participantes. O que foi interrompido chegou a incluir cinquenta pacientes. Os dois em curso ainda seguem com vagas abertas.
Os interessados em participar passam por uma triagem e, antes de ingressar no estudo, recebem um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido com todas as informações sobre a pesquisa, incluindo tipo de medicação, duração, número de consultas e possíveis riscos. A participação é gratuita. Consultas médicas, exames laboratoriais, exames cardiológicos e as medicações em teste são oferecidos sem cobrança. O transporte também é reembolsado.
A coordenadora relatou que o Pesquisa Vale funciona como um consultório e o paciente realiza os exames necessários no próprio local. Os estudos costumam durar cerca de seis meses e, após esse período, os pacientes que apresentaram melhora podem continuar sendo acompanhados, mantendo acesso aos medicamentos que é fornecido diretamente no local.
Além das pesquisas em diabetes, o centro prevê a abertura de novos estudos nas áreas de rinite, com protocolos para adultos e crianças, e hiperplasia prostática. Segundo Lívia, alguns desses projetos já passaram por aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e por comitês de ética vinculados a universidades, mas ainda aguardam etapas regulatórias e a visita de iniciação da indústria farmacêutica para início efetivo.
A proposta é ampliar o acesso da população a novas alternativas terapêuticas e oferecer acompanhamento médico mais frequente, especialmente para pacientes que, muitas vezes, dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde). “O voluntário só tem benefícios. A gente percebe uma grande melhora nos pacientes porque ficamos no ‘pé’ (sic) deles. Tem orientação sobre alimentação e atividade física, além de um contato mensal, mais próximo, fazendo com que eles se sintam mais acolhidos”.
Pessoas interessadas em se cadastrar como voluntárias nos estudos podem entrar em contato pelo telefone ou WhatsApp (12) 99746-6981 para obter informações sobre critérios de participação e agendamento de avaliação.
Raphaela Dias
Lorena





