O Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de cerca de 14 milhões de pessoas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, é foco de projetos de recuperação e preservação ambiental. Entre as iniciativas estão as ecobarreiras, sistemas que atuam diretamente no enfrentamento ao lixo nos rios e na proteção dos ecossistemas, como o modelo que segue ativo em Guaratinguetá.
Projetado pelo por alunos do Pet Engenharia Mecânica da Unesp, a ecobarreira foi desenvolvida em conjunto com a Saeg (Companhia de Serviço de Água Esgoto e Resíduos de Guaratinguetá) e foi implantada em 2024 no Ribeirão dos Motas, região urbana da cidade. A ecobarreira é um sistema de contenção e coleta de resíduos sólidos flutuantes por meio de estruturas físicas fixadas de forma transversal ao curso da água. Aproveitando o próprio fluxo do ribeirão, o lixo é concentrado um ponto específico, facilitando a remoção.
Essa tecnologia sustentável não é recente, já foi testada em várias cidades brasileiras com o objetivo de salvar rios ameaçados por toneladas de lixo. Em 2025, o projeto sustentável foi apresentado na COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), em Belém-PA pelo idealizador e ativista Diego Saldanha.
A operação de coleta ocorre semanalmente, todas às quartas-feiras, em ação conjunta da Saeg com o grupo Pet da Unesp. No último dia 14 foram retirados quarenta quilos de resíduos flutuantes, sendo que todos os materiais que podem ser reaproveitados são encaminhados para a cooperativa de reciclagem. Desde o início da implantação, a ecobarreira já ultrapassou a marca de uma tonelada de resíduos sólidos retirados.
Atualmente, está em andamento a implantação de uma nova ecobarreira no Ribeirão dos Motas, em trecho próximo à rodoviária. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Agea (Associação Guaratinguetaense de Engenheiros e Arquitetos), no âmbito do Fomento à Sustentabilidade do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo), programa no qual a ação foi contemplada como iniciativa vencedora.
Também está prevista a instalação de uma ecobarreira no Ribeirão São Gonçalo, ampliando a cobertura do sistema e beneficiando bairros Tamandaré e Centro.
As ecobarreiras são confeccionadas com geotêxtil técnico de alta resistência e durabilidade da multinacional Huesker, material que permite a retenção principalmente de garrafas pet e isopor, resíduos comumente descartados de forma inadequada no meio ambiente. Além da multinacional, o projeto conta como apoiadores e patrocinadores a Salus, O2eco e Agea.
A iniciativa é viabilizada por meio do Termo de Fomento nº 13/2025, decorrente do Edital de Chamamento Público nº 2/2025 do Gabi (Gerência de Apoio à Gestão e Integração).
Guaratinguetá
Por Bruna Viana





